HISTÓRIA DO CONSTITUCIONALISMO
NO BRASIL (RESUMIDO)
Em 01.01.1995
Eleito em 03 de outubro de 1994, diplomado em 17 de dezembro de 1994 pelo
Superior Tribunal Eleitoral (STE), toma posse perante o Congresso Nacional,
Fernando Henrique Cardoso, cujo mandato presidencial encerará em 31 de
dezembro de 1998, com o Vice-Presidente Marco Antônio de Oliveira Maciel.
Em 08.01.1995
O Presidente da República determina aos seus ministros, para que parem
imediatamente de fazerem “fofocas”. Tal atitude do presidente Fernando
Henrique se firmou tendo por razão as desinteligências ocorridas entre: Sérgio
Motta e Antonio Carlos Magalhães, Dorothéia Werneck e José Serra; e Adib
Jatene e Bresser Pereira.
Em 08.02.1995
O presidente Fernando Henrique Cardoso, sancionou lei que anistiava não só o
senador Humberto Lucena, como todos os parlamentares que haviam sido
condenados por uso ilegal da gráfica do Senado Federal, para fins eleitorais.
Em 13.02.1995
O presidente Fernando Henrique Cardoso, sancionou a lei de concessões
públicas, permitindo assim, que a iniciativa privada tivesse a exploração de
serviços prestados pelo Estado.
Em 09.03.1995
Primeira crise no partido do presidente Fernando Henrique Cardoso. O ministro
das Comunicações Sérgio Motta se desentende com o Presidente do Partido da
Social Democracia Brasileira (PSDB), Pimenta da Veiga, que renuncia.
Em 08.04.1995
Com pauladas e pedradas, além dos ovos que foram jogados no ônibus que
transportava o Presidente da República, em Recife, manifestantes se rebelam
em face das reformas constitucionais.
Em 25.04.1995
O Senado Federal aprova o aumento do salário mínimo, de setenta para cem
reais, para vigorar a partir do dia primeiro de maio.
Em 25.04.1995
Em primeira votação, é aprovada a participação da iniciativa privada na
distribuição de gás canalizado, apontando, assim, a primeira vitória das
propostas de reforma constitucional defendidas pelo governo.
Em 27.04.1995
É aprovada a primeira proposta, pelo governo na Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ), da Reforma da Previdência.
Em 03.05.1995
Greve nacional dos petroleiros.
Em 15.05.1995
Fim da TR como indexador dos empréstimos.
Em 17.05.1995
É aprovada em primeiro turno, a emenda que elimina a reserva de mercado na
navegação de cabotagem.
Em 24.05.1995
O Exército ocupa quatro refinarias da Petrobrás para tentar garantir a retomada
da produção, interrompida pela greve dos petroleiros.
Em 24.05.1995
É aprovada, no primeiro turno, na Câmara dos Deputados, a Emenda que
quebra o monopólio estatal das telecomunicações.
Em 31.05.1995
O presidente do Banco Central, Pérsio Arida, pede demissão após
desentendimentos com Pedro Malam, ministro do Planejamento, e com o
governador Mário Covas.
Em 31.05.1995
É aprovada, em segundo turno, na Câmara dos Deputados, a Emenda que acaba
com a reserva de mercado na navegação de cabotagem.
Em 02.06.1995
A greve dos petroleiros é considerada pelo Tribunal Superior do Trabalho
(TST) abusiva, assim, as reivindicações não são atendidas.
Em 02.06.1995
É anunciado o término da paralisação dos petroleiros.
Em 06.06.1995
A Câmara dos Deputados aprova, em segundo turno, a Emenda que quebra o
monopólio estatal nas telecomunicações.
Em 07.06.1995
A Câmara dos Deputados aprova, em primeiro turno, a Emenda que permite a
quebra do monopólio estatal do petróleo (o monopólio vigora desde 1953,
quando da campanha realizada sob o nome “O Petróleo é nosso”).
Em 10.06.1995
Desentendimento entre Pedro Malam e José Serra, sobre importação de carros,
que resultou numa repreensão por parte do Presidente da República, que
ameaçou a equipe econômica com demissões.
Em 20.06.1995
O Senado Federal aprova, em primeiro turno, a Emenda que acaba com a
reserva de mercado na navegação de cabotagem.
Em 01.07.1995
Primeiro aniversário do plano Real. A inflação que era de 40% ao mês passa
para 2% ao mês, acumulando, assim, para o primeiro ano do plano 32,1% de
inflação anual.
Em 03.07.1995
O Senado Federal aprova, em primeiro turno, a emenda que acaba com o
monopólio estatal nas telecomunicações.
Em 14.07.1995
Por ordem da Justiça Federal foi suspenso o programa de demissão voluntária
do Banco do Brasil, que tinha por meta o afastamento de aproximadamente
quinze mil funcionários.
Em 08.08.1995
O Senado Federal aprova em segundo turno as Emendas que mudam o conceito
de Empresa Nacional e, no mesmo dia acabam com a reserva de mercado na
navegação de cabotagem, respectivamente com a seguinte votação: 61 votos a
favor e 12 votos contra (1o turno), e 58votos a favor e 10 votos contra (2o turno)
Em 10.08.1995
O Senado Federal aprova em segundo turno a Emenda que acaba com o
monopólio das telecomunicações.
Em 15.08.1995
O senador José Sarney, Presidente do Congresso Nacional, promulga quatro
das cinco Emendas à Ordem Econômica; a saber: 1a Emenda - da distribuição
do gás canalizado; 2a Emenda - da navegação entre os portos do país; 3a
Emenda - a que elimina a discriminação de empresas de capital estrangeiro; e a
4a Emenda - a que põe fim ao monopólio do Estado nas telecomunicações.
Em 15.08.1995
Emenda Constitucional no 7 (política): proíbe a edição de medida provisória
para regulamentação de artigo da Constituição Federal alterado por emenda
aprovada a partir de 1995.
Em 15.08.1995
Emenda Constitucional no 5 (econômica): acaba com o monopólio estatal na
exploração dos serviços de gás, autorizando a concessão para a iniciativa
privada.
Em 15.08.1995
Emenda Constitucional no 6 (econômica): acaba com o tratamento diferenciado
para empresas de capital nacional e permite que qualquer empresa constituída
sob as leis brasileiras faça a pesquisa e a lavra de recursos minerais, ainda que
tenha capital estrangeiro.
Em 15.08.1995
Emenda Constitucional no 7 (econômica): acaba com a exclusividade de
empresas nacionais no transporte de mercadorias e de passageiros entre portos
brasileiros.
Em 15.08.1995
Emenda Constitucional no 8 (econômica): quebra o monopólio estatal nos
serviços de telecomunicações, permitindo que eles sejam concedidos à
iniciativa privada.
Em 27.09.1995
O Presidente da República demite o Presidente do INCRA, Brazílio de Araujo
Neto. Em seu lugar assume Francisco Graziano.
Em 18.10.1995
O Senado Federal aprova, em primeiro turno, a Emenda que acaba com o
monopólio da Petrobrás.
Em 24.10.1995
A Comissão de Constituição e Justiça aprova a proposta do governo de
Reforma Administrativa, que quebra a estabilidade dos funcionários públicos.
Em 01.11.1995
A Câmara dos Deputados aprova, em primeiro turno, a prorrogação por mais
18 meses, do Fundo Social de Emergência, que passa a chamar (FEF) Fundo de
Estabilização Fiscal.
Em 08.11.1995
Por 60 votos contra 15 (com 6 ausências) o Senado Federal aprova a emenda
que acaba com o monopólio da Petrobrás.
Em 10.11.1995
Emenda Constitucional no 9 (econômica): flexibiliza o monopólio do petróleo,
permitindo a contratação de empresas privadas para pesquisa e lavra de jazidas.
Dá nova redação ao artigo 177 da Constituição Federal, alterando e inserindo
parágrafos.
Em 18.11.1995
Escândalo do grampo telefônico. Segundo consta que por ordem do Presidente
do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Francisco
Graziano, foi grampeado o telefone do chefe do cerimonial do Palácio do
Planalto, Júlio Cesar Gomes dos Santos. A escuta revelou tráfico de influência
realizado para a escolha da empresa que forneceria os equipamentos do projeto
Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).
Em 22.11.1995
Com grande margem de vantagem, o governo aprova na Câmara e em segundo
turno a prorrogação por mais dezoito meses, o Fundo de Estabilização Fiscal.
Ocorreu ainda, durante o ano de 1995:
Logo após a crise do México são retirados do Banco Central, por investidores
estrangeiros, mais de um e meio bilhão de dólares. Entre outras medidas o
governo brasileiro, altera a banda cambial, aumentando as taxas de juros,
eliminando o Imposto sobre Operações Financeiras para empréstimos e
aplicações de capital estrangeiro nas bolsas de valores. Para reverter à sucessão
de “deficit” comercial, o governo eleva de 32% para 70% a aliquota de
importação de automóveis e de mais de cem outros itens na importação. O
ministro José Serra anuncia que o governo pretende arrecadar quatro bilhões de
dólares com a venda de dezessete estatais; Marcos Maciel, Presidente interino,
pressionado por políticos, determina a suspensão do programa de enxugamento
de cargos na Caixa Econômica Federal; Governadores, do Rio de Janeiro, Rio
Grande do Norte, Minas Gerais, Pará e Paraná, e os vices da Bahia e do Rio
Grande do Sul reunidos na Cidade do Rio de Janeiro, iniciam a formação de
uma frente pluripartidária para negociar a reforma tributária com o Governo
Federal; Pedem demissão: José Nilton Dallais e o ministro da Aeronáutica
Mauro Gaucha, respectivamente pelos motivos de após ter sido acusado de
vazar informações do Governo para os clientes de sua consultoria, e por ter
sido citado nas conversas telefônicas do diplomata Júlio Cesar Gomes dos
Santos com o comandante, dono da Líder Taxi Aéreo, José Augusto
Assumpção; O Presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos,
Henrique Hargreaves, pede demissão do cargo depois de ser acusado de estar
prestando assessoria ao Instituto de Pesquisas SEBRAE, com salários acima de
20 mil real, por mês; Decretada a prisão dos líderes do movimento dos
trabalhadores rurais sem terra em São Paulo; “A pasta co–de–rosa”. Divulgado
conteúdo de uma pasta pertencente ao Banco Econômico, que estaria em poder
do Banco Central, com documentos listando os beneficiados com doação
financeira na Campanha Política de 1990; A Juíza Maísa Giudice, da 17a Vara
da Justiça Federal, em Brasília, acolhe a denúncia do Ministério Público, que
alega improbidades administrativas dos dirigentes do Banco Central e do
Banco Econômico; etc.
Em 04.01.1996
O Ministério da Educação (MEC) decidiu submeter ao Conselho Nacional de
Educação uma reforma do ensino médio que previa o direcionamento dos
alunos, a partir da segunda série, para cinco áreas específicas: ciência exata,
artes e comunicação, ciência da vida, ciências sociais e humanas, e gerência e
informática. O objetivo da mudança era de fazer cumprir a Lei no 5.692 de
1971, que estabeleceu a profissionalização do ensino médio.
Em 08.01.1996
Movimento dos Sem Terras e o Presidente da República divergem sobre
assentamentos. Em resposta à coordenação nacional do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra, que contestou os dados oficiais sobre os
assentamentos realizados em 1995, o Presidente Fernando Henrique Cardoso
confirmou que o governo assentou 42.812 famílias e ordenou a divulgação dos
documentos que comprovam esse número. O Movimento dos Sem Terras
registrou o assentamento de apenas 12.263 famílias em 1995 e sustentou que o
número oficial incluía famílias já assentadas em anos anteriores.
Em 09.01.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou a revogação ao decreto n ao
Decreto no 22, assinado em 1991 pelo então Presidente Fernando Collor de
Mello, que determinava a demarcação de áreas indígenas pela Fundação
Nacional do Índio (FUNAI). Das 554 áreas demarcadas, mas não homologadas
307 poderiam ser revistas, em função do novo decreto. Entre elas estavam as de
Cricati (no Maranhão), a de Baú (Pará), a de Raposa/Serra do Sol (Roraima) e a
de Marãiuapsede (Mato Grosso).
Em 15.01.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso vetou a esterilização de homens e
mulheres pelo Sistema Unificado de Saúde (SUS), tal como previsto na lei que
regulamentou o planejamento familiar. O veto presidencial foi aplaudido pela
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), contrária aos métodos dita
não-naturais de controle da natalidade, e repudiados pelas Organizações de
Defesa dos Direitos da Mulher, que via na nova lei a chance de acabar com a
clandestinidade e a exploração da esterilização por clinicas particulares.
Em 16.01.1996
Grupos de trabalhadores rurais Sem-Terra ocuparam ou tentaram ocupar as
sedes das secretarias estaduais da Fazenda em São Paulo, Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. O objetivo das mobilizações era pressionar o
Governo Federal a liberar os noventa milhões de reais prometidos ao Programa
de Crédito Especial para Reforma Agrária (PROCERA), que seriam
empregados em projetos de infra-estrutura nos acampamentos de Sem-Terra.
Em 23.01.1996
A Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(INCRA) em São Paulo informou que a instituição dava preferência à compra
de propriedades rurais para assentar lavradores, já que os processos de
desapropriação, freqüentemente contestados na justiça, acabam sendo mais
onerosos para a União. Segundo o INCRA, o pagamento das terras compradas
se efetuava com títulos da dívida agrária com prazo de dez anos.
Em 25.01.1996
O Cartório do Registro Civil da primeira zona de Porto Alegre expediu o
atestado de óbito de um militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B),
desaparecido na guerrilha do Araguaia em 1973. As famílias de dois outros
desaparecidos, em Salvador BA e Canoas RS, informaram ter recebido
atestados de óbito respectivamente em 18 e 26 de dezembro de 1.995.
Em 25.01.1996
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) apresentou uma
proposta de implantação do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM),
com participação majoritária de empresas brasileiras, como alternativa ao
projeto da firma americana Raytheon, suspeito de superfaturamento. A
execução do projeto pela SBPC representaria uma economia de quinhentos
milhões de dólares.
Em 26.01.1996
O Banco Mundial decidiu manter o Plano Agropecuário e Florestal de
Rondônia (PLANAFLORO) que, orçado em duzentos e trinta milhões de
dólares e aprovado em 1992, tinha como objetivo melhorar a administração dos
recursos naturais do Estado. Segundo várias organizações ambientalistas, o
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) autorizara
assentamento de trabalhadores rurais em áreas de preservação ambiental.
Em 30.01.1996
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou
perto de um bilhão de reais para os Governos Estaduais, por conta da
privatização de companhias estatais, especialmente as do setor energético.
Além de melhorar o fluxo de caixa e contribuir para sanear as finanças dos
Estados, o banco pretendia com isso criar condições para a privatização das
distribuidoras de energia elétrica, que abriria o caminho da privatização da área
de geração de energia.
Em 01.02.1996
A Companhia Vale do Rio Doce descobriu a maior jazida de ouro do país e a
segunda do mundo em Curionópolis (PA), a cinqüenta e cinco quilômetros de
Carajás. As reservas foram calculadas em novecentas toneladas, só inferiores às
da jazida de Muruntain, no Cosaquistão. Por ser subterrânea, a nova mina não
comporta garimpo, mas apenas exploração mecanizada, com produção prevista
de quinze toneladas anuais. A maior mina brasileira e latino-americana em
exploração fica em Carajás e produz dez toneladas anuais.
Em 06.02.1996
Cláudio Ribeiro, prefeito da cidade de Rio das Ostras, no litoral fluminense, foi
morto com três tiros por dois homens que se apresentaram em seu sítio.
Cláudio Ribeiro foi o primeiro prefeito eleito do município, criado quatro anos
antes.
Em 08.02.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso, por Decreto, aproximadamente
cento e doze mil hectares de terras foram desapropriados no Norte e no
Nordeste do País, a fim de permitir o assentamento de três mil e oitocentas
famílias de lavradores e Sem–Terra.
Em 15.02.1996
Numa reunião realizada em Estrasburgo, França, o Parlamento Europeu
aprovou uma resolução em que acusa o Brasil de retroceder na política
indígena e ameaçar os direitos dos índios. Semanas antes, a Anistia
Internacional havia criticado o Decreto de 8 de janeiro, que permitiu aos
proprietários de áreas demarcadas recorrerem à justiça para recuperar suas
terras. A demarcação das áreas em questão, decretada pelo ex-presidente
Fernando Collor de Mello em 1991, foi considerada inconstitucional pelo
governo Fernando Henrique Cardoso.
Em 29.02.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso propôs a Boutros Ghali, secretáriogeral
da Organização das Nações Unidas (ONU), que visitava Brasília, um
pacote de reformas destinado a redefinir o papel de cada membro e a distribuir
adequadamente deveres e responsabilidades. O Presidente exortou os países
devedores a cumprirem seus compromissos financeiros com a organização, que
acumulava um déficit de aproximadamente de três bilhões de dólares. Os
maiores devedores da Organização das Nações Unidas (ONU) eram os Estados
Unidos, seguidos da Rússia e da Ucrânia.
Em 29.02.1996
O Senado Federal aprovou um projeto de lei que torna compulsória a doação de
órgãos, tecidos e demais partes do corpo. Todo cidadão passa a ser doador
presumido, a menos que faça constar de seus documentos de identidade
(Cédula de Identidade) recusa expressa à doação. Uma vez aprovado o projeto
pela Câmara dos Deputados, as instituições de identificação civil e de trânsito
passariam a emitir novos documentos, de acordo com a mudança na legislação.
Em 01.03.1996
Foram assinados em Brasília, pelo embaixador dos Estados Unidos, Melwyn
Levytsky, e por Ronaldo Sardenberg, Chefe da Secretaria de Assuntos
Estratégicos Brasileira, tratados de cooperação espacial e nuclear entre os dois
países. O secretário de Estado americano, Warren Christopher, que se
encontrava em Brasília, manifestou o apoio dos Estados Unidos à entrada do
Brasil no grupo dos “fornecedores nucleares”. O acordo prevê a execução
conjunta de projetos de construção, manutenção, uso e experimentação de
reatores, para uso pacífico da energia nuclear.
Em 05.03.1996
EC nº 10 (fiscal): prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) com algumas
modificações, para o período de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997.
Altera dispositivos dos artigos 71 e 72 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias, introduzidos pela Emenda Constitucional de Revisão nnº1 de 1994
Em 20.03.1996
Por iniciativa do Presidente do Senado Federal, José Sarney, foi instalada a
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar irregularidades
no sistema financeiro (A CPI dos Bancos). A bancada governista e seus aliados
se opuseram decididamente ao funcionamento da Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI), que entenderam como uma manobra para desmoralizar a
administração do Banco Central. As investigações não se estenderiam a
operações do banco anteriores ao mês de janeiro de 1995, excluindo, portanto
os governos: Itamar Augusto Cantieiro Franco, Fernando Afonso Collor de
Mello e o do próprio (como Presidente da República) José Sarney.
Em 11.04.1996
O Presidente Fernando Henrique Cardoso assinou um Decreto que concedeu
indulto a presos de bom comportamento, condenados a menos de seis anos de
prisão e tendo já cumprido no mínimo um ano de pena. O Decreto, que
beneficiou um décimo dos cento e trinta mil presidiários do país, prevê indulto
com validade de dois anos, transcorridos os quais o indultado que mantenha o
bom comportamento terá extinguido a pena. O Decreto não contemplou os
crimes contra a Administração Pública, Tráfico de Drogas, Estupro e
Homicídio.
Em 12.04.1996
Um aumento de setenta e sete e meio por cento nos vencimentos dos
funcionários do banco Central, decidido na véspera pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN), foi suspenso depois que funcionários auxiliares da
instituição, não beneficiados pelo reajuste, ameaçaram invadir o gabinete do
Presidente da instituição, Gustavo Loiola. O reajuste teria um impacto da
ordem de cem milhões de reais por ano sobre a folha de pagamento do banco.
Em 15.04.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso e o primeiro-ministro de Portugal,
Antônio Guterres assinaram em Brasília um acordo especial de isenção de
vistos que facilita a entrada de cidadãos brasileiros em Portugal. O primeiroministro
português anunciou ter enviado ao seu Parlamento um projeto de lei
que dá total liberdade de trabalho aos imigrantes de língua portuguesa.
Em 17.04.1996
Dezenove trabalhadores sem terra foram mortos a tiros pela Policia Militar de
Eldorado de Carajás, a seiscentos e cinqüenta quilômetros de Belém. O
massacre ocorreu depois que um mil e quinhentos lavradores interditaram a PA
150, rodovia que liga o sul do Pará à capital estadual. Os sem terra participaram
de uma marcha a Belém em protesto contra o Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (INCRA) pela lentidão no processo de
desapropriação da fazenda Macaxeira, no município de Curinópolis PA,
ocupada por centenas de famílias.
Em 23.04.1996
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados
aprovou o projeto de lei que restringe o fumo em recintos públicos fechados e
em veículos de transporte coletivo. O projeto, que prevê uso da força policial
para coibir os infratores, foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 1995,
mas o Senado Federal suprimiu esse dispositivo. Ficou a critério dos Estados e
Municípios estabelecer penalidades administrativas adicionais, como a
aplicação de multa.
Em 25.04.1996
O Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília restituiu o registro profissional
ao psicanalista e psiquiatra Amilcar Lobo, que o teve cassado oito anos antes
pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro. Amilcar Lobo, fora
impedido de exercer a profissão por conivência com a prática de tortura depois
que ex-presos políticos reconheceram-no como o Dr. Carneiro, que colaborava
com torturadores. O Tribunal Regional Federal (TRF) entendeu que os crimes
cometidos pelo médico estavam prescritos.
Em 01.05.1996
EC nº 11 (administração pública): permite a contratação de professores
(técnicos e cientistas) estrangeiros pelas universidades brasileiras e concede
autonomia às instituições de pesquisa científica e tecnológica.
Em 02.05.1996
Numa reunião com lideres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) em Brasília, o Presidente Fernando Henrique Cardoso obteve o
compromisso de não aumentar o número de famílias nos acampamentos de
Sem-Terra. Terminado o encontro, o ministro Extraordinário de Política
Fundiária, Raul Jungmann, anunciou a desapropriação de duzentos mil hectares
de terra para assentamento de seis mil e setecentos famílias.
Em 09.05.1996
Contra a orientação do Presidente Fernando Henrique Cardoso, os lideres dos
partidos do governo no Senado Federal derrubaram o projeto de lei que
transferia para a justiça comum o julgamento de crimes praticados por policiais
militares. O projeto, apresentado pelo senador Hélio Bicudo, do Partido dos
Trabalhadores (PT) de São Paulo, integrava o Plano Nacional de Direitos
Humanos que o governo pretendia implantar (derrubado o projeto de Hélio
Bicudo).
Em 13.05.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso enviou ao Congresso Nacional vários
projetos e Emendas Constitucionais que configurariam seu Plano Nacional de
Direitos Humanos. Entre as medidas propostas, destaca-se a criação do serviço
civil obrigatório, que absorveria os excedentes do serviço militar e as mulheres.
Os serviços, prestados por seis meses ou um ano, consistiriam em assistência a
comunidades carentes e seriam remunerados com um salário mínimo mensal.
Em 13.05.1996
Uma lei conhecida como Lei do Concubinato, que regulamenta a união da
casais não-casados, foi sancionada pelo Presidente Fernando Henrique
Cardoso. De acordo com a nova lei, pessoas que mantiveram
comprovadamente união estável, pública e contínua, sem impedimentos legais,
passaram a ter direito a pensão alimentícia, partilha de bens e herança deixada
pelo companheiro ou companheira. Antes da lei, a união de fato só era
reconhecida depois de cinco anos de convivência ou se dela houvesse filhos.
Em 14.05.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou sem vetos uma lei de
patentes que estipula o pagamento de “royalties” pela fabricação de diversos
produtos, entre os quais alimentos e remédios. A lei teria como conseqüência o
aumento de preço dos medicamentos, pois determinou o fim de uma prática
comum entre os laboratórios nacionais, que copiavam fórmulas criadas por
firmas estrangeiras sem pagar direitos. Com a lei, o dono de um princípio ativo,
que é a substância básica de um remédio, passou a deter o monopólio de sua
exploração comercial durante vinte anos.
Em 15.05.1996
É aprovados pelo Senado Federal o fim do monopólio estatal de resseguros e a
entrada de companhias estrangeiras no setor.
Em 21.05.1996
Uma companhia francesa e duas americanas compraram trinta e quatro virgula
zero quatro por cento das ações da Light, Companhia Elétrica do Rio de
Janeiro, que durante dezessete anos foi administrada pelo governo. A
Companhia Siderúrgica Nacional comprou sete virgula vinte e cinco por cento
das ações, mas o governo só conseguiu vender o controle acionário da exestatal
com a intervenção da BNDES Participações, que adquiriu nove virgula
quatorze por cento das ações da empresa. A operação rendeu ao governo dois
virgula vinte e um bilhões de reais.
Em 24.05.1996
O Banco Central decreta a intervenção do Banorte e tranfere agências, contas e
ativos para o Banco Bandeirantes.
Em 28.05.1996
Alegando que o desaparecimento de um banco causa crise de confiança no
mercado financeiro, o Presidente do Banco Central justificou a ajuda de vinte e
um bilhões de reais oferecida pelos cofres públicos aos bancos: Nacional,
Antônio Queirós, Econômico, à Caixa Econômica e ao Banorte. A ajuda oficial
ao sistema financeiro serviu para cobrir a dívida de bancos falidos e para
garantir os depósitos dos correntistas.
Em 13.06.1996
EC nº 15 (política): estabelece regras para a criação de novos municípios. Dá
nova redação ao § 4º do artigo 18 da Constituição Federal.
Em 23.06.1996
O empresário alagoano Paulo César Faria, conhecido como PC, tesoureiro da
campanha que levou Fernando Afonso Collor de Melo a Presidência da
República, foi morto (assassinado) em sua casa de praia em Guaxuma, perto de
Maceió. Paulo César ou PC como conhecido, estava em liberdade condicional
depois de cumprir parte das penas a que fora condenado por sonegação de
impostos e falsidade ideológica.
Em 24.06.1996
O ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, divulgou uma lista de
duzentos e sessenta e três livros didáticos que foram reprovados na análise de
conteúdo realizada pelo Centro de Pesquisa de Ensino e Cultura. O ministro
exortou as editoras responsáveis a enviarem erratas às escolas públicas e
particulares que adotam esses livros e anunciou que para 1997 a avaliação será
ampliada. Técnicos do ministério discutirão com os editores os critérios a
serem usados na reformulação dos livros.
Em 03.07.1996
A pedido do chefe de gabinete do governo de Minas Gerais e antigos assessor
do ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK), Serafim Jardim, foi
reaberto o inquérito sobre o acidente que causou a morte do ex-presidente, em
1976. A reabertura decidiu-se a fim de investigar possibilidade de atentado.
Segundo testemunhas, o automóvel em que viajava o ex-presidente poderia ter
explodido antes de chocar-se contra a carreta.
Em 04.07.1996
O Ministério da Educação (MEC) classificou como insuficientes ou totalmente
desestruturados noventa e um dos mil setecentos e vinte e seis cursos de
mestrado e doutorado avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES) em todo o Brasil. Os diplomas concedidos
por esses cursos tiveram suspendido seu reconhecimento pelo Ministério da
Educação.
Em 08.07.1996
O Procurador Federal de Direitos Humanos, Vagner Gonçalves, encaminhou à
Procuradoria Geral da República um pedido de Intervenção Federal no Acre,
baseado no relatório de três outros procuradores em que a Polícia Militar e
todos os órgãos de segurança do Acre foram acusados de patrocinar grupos de
extermínio. O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) registrou
trezentos e trinta homicídios nos últimos trinta meses.
Em 09.07.1996
O Embaixador Americano no Brasil anunciou que o Governo dos Estados
Unidos estaria disposto a financiar o combate ao tráfico e ao consumo de
drogas no Brasil. O orçamento americano para 1997 reservou quatrocentos
milhões de dólares para programas internacionais de combate às drogas. No
caso do Brasil, a ajuda viria sob a forma de contribuição financeira aos
conselhos regionais de entorpecentes, existentes em mais de duzentas cidades
brasileiras, e às prefeituras, por intermédio de organizações não
governamentais.
Em 15.07.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a lei que proíbe fumar em
recintos fechados, particulares ou públicos. A permissão de fumar ficou restrita
a áreas arejadas, especialmente destinadas a fumantes. Também foi proibida a
publicidade de cigarros e bebidas alcoólicas entre 06:00 e 21:00 horas.
Em 16.07.1996
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, informou em Lisboa
que o Brasil pretendia retirar de Angola os mil e duzentos homens enviados em
agosto de 1995 para integrar a força de paz da Organização das Nações Unidas
(ONU). Segundo o ministro, o Brasil, primeiro país a reconhecer a
independência de Angola, proclamada em 1975, cansou-se de esperar pelo fim
da guerra e resolveu não prorrogar até fevereiro de 1997, prazo estipulado pela
Organização das Nações Unidas (ONU) para retirada da força de paz, a
permanência de seu contingente militar no país africano.
Em 23.07.1996
A Comissão Internacional de Direitos Humanos, da Organização dos Estados
Americanos (OEA) intimou o Brasil a indenizar as famílias de dezoito presos
mortos numa Delegacia de Polícia, em São Paulo, em 1989. As mortes
ocorreram por asfixia, depois de uma tentativa de fuga, quando cinqüenta
presos foram comprimidos numa cela de mínimas dimensões e sem ventilação.
Em 24.07.1996
Foi aprovado pela Câmara dos Deputados o imposto de zero virgula dois por
cento sobre todos os cheques, saques e aplicações financeiras. Os recursos
provenientes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF), que deveria ser cobrada a partir de dezembro por pouco mais de um
ano, seriam destinados à área da saúde. Ficaram isentos do imposto as
aposentadorias de até dez salários mínimos, os proventos de assalariados até
três mínimos e cadernetas de poupança inativas por noventa ou mais dias.
Em 25.07.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso, assinou um Decreto que determina a
reavaliação de todas as concessões para a exploração de mogno na Amazônia e
proíbe por dois anos novas concessões. Outras medidas ao combate ao
desmatamento, como o aumento da área de reserva florestal obrigatória nas
propriedades rurais e ao apoio ao programa de sensoriamento remoto da
Amazônia, foram anunciadas pelo Presidente.
Em 06.08.1996
O Senado Federal aprovou o projeto de lei que instituiu o Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS) para as empregadas domésticas. Para entrar em
vigor, o projeto apresentado pela senadora e ex-deputada do Partido dos
Trabalhadores (PT), Rio de Janeiro, Benedita da Silva, deveria ainda ser
aprovado pela Câmara dos Deputados. Também foi estendido às domésticas o
direito ao vale-transporte e ao seguro-desemprego.
Em 07.08.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a lei que atribuiu à justiça
comum a competência para julgar crimes dolosos cometidos por militares.
Assim, os policiais militares envolvidos nas chacinas de Corumbiara (RO)
ocorrida em agosto de 1995, e Eldorado dos Carajás (PA), em abril último,
seriam julgados pela justiça comum. Pelo massacre de Corumbiara, que
resultou em doze mortes registradas oficialmente, foram denunciados apenas
três policiais. No caso de Eldorado dos Carajás, com dezenove trabalhadores
mortos, foram denunciados cento e cinqüenta e cinco policiais.
Em 14.08.1996
O ministro dos Transportes, Odacir Klein, demitiu-se do cargo depois que se
tornou pública sua omissão num caso de atropelamento. Um dos filhos do exministro
que dirigia em alta velocidade, acompanhado do pai, atropelou e
matou um operário em Brasília. O ministro e o filho não prestaram socorro à
vítima nem comunicaram o ocorrido à polícia, mas as informações dadas por
testemunhas do acidente levaram à identificação do motorista (e do
acompanhante).
Em 14.08.1996
A Câmara dos Deputados aprovou, com o apoio de todos os Partidos Políticos,
a aplicação do rito sumário à desapropriação de terras para a reforma agrária. A
medida seria fundamental para o cumprimento do objetivo do governo
(assentar duzentas e oitenta mil famílias até 1998), pois permitiria apressar para
prazos de até quarenta e oito horas a posse de terras pelo Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Segundo o acordo celebrado entre o
governo e os ruralistas, as propriedades invadidas por Sem-Terra não poderiam
ser submetidas a rito sumário.
Em 16.08.1996
EC nº 12 (fiscal): cria a Contribuição Provisória sobre Movimento Financeiro
(CPMF), para financiamento da área da saúde. Outorga competência à União
para instituir contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de
valores e de créditos e direitos de natureza financeira.
Em 21.08.1996
O Delegado de Polícia, Robson da Silva, da cidade de Resende, Rio de Janeiro,
dirigiu à Promotoria Pública do município um relatório no qual concluiu ter
sido acidental a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK),
ocorrida na Rodovia Presidente Dutra, em 22 de agosto de 1976. O relatório
baseou-se em laudo do Instituto de Criminalística, Carlos Éboli, do Rio de
Janeiro, que não constatou explosão no veículo em que viajava o ex-presidente,
mas reconheceu ser impossível detectar sabotagem mecânica no mesmo.
Em 22.08.1996
EC nº 13 (econômica): trata da fiscalização do sistema financeiro. Dá nova
redação ao inciso II do artigo 192 da Constituição Federal.
Em 28.08.1996
O Supremo Tribunal Federal negou um pedido de extradição apresentado pela
China, que pretendia levar a julgamento o cidadão Chinês Qian Hong, acusado
de estelionato, crime que em seu país é punido com a pena de morte. O
ministro relator, Celso de Melo, alegou que a China não tinha credibilidade
para assumir o compromisso de transformar a pena de morte em prisão. A lei
brasileira proíbe a extradição de estrangeiro ameaçado de ser condenado à pena
capital.
Em 29.08.1996
O Senado Federal aprovou uma mudança radical nas leis de trânsito, com a
imposição de multas mais pesadas e a tipificação do atropelamento seguido de
morte como crime sujeito à pena de dois a cinco anos de prisão. O novo Código
de Trânsito prevê a habilitação permanente de novos motoristas somente depois
de um período de habilitação provisória sem infrações graves.
Em 04.09.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou com o Presidente da Bolívia,
Gonzalo Sánches de Lozada, o contrato de construção de um gasoduto que
levaria o gás boliviano de Santa Cruz de La Serra a São Paulo. Esperava-se que
a Bolívia fornecesse ao Brasil oito mil metros cúbicos de gás em sete anos. O
acordo foi fechado em Cochabamba durante a reunião do Grupo do Rio,
integrado por quatorze países latino–americanos.
Em troca da federalização da Companhia de Energia de Alagoas (CEAL), o
governo federal autorizou um empréstimo de sessenta e cinco milhões de reais
ao estado, destinados principalmente a pagar salários atrasados dos servidores.
Ameaçado de intervenção federal, Alagoas vinha pagando regularmente apenas
aos altos funcionários do poder judiciário alagoano (juízes, promotores e
procuradores), que desfrutavam de outras regalias concedidas pela justiça do
trabalho.
Em 11.09.1996
A Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos Políticos decidiu que a
União deveria pagar indenização no valor de cento e cinqüenta mil reais às
famílias do ex-capitão Carlos Lamarca e do ex-deputado Carlos Marighella.
Baseada em laudos periciais, a comissão concluiu que os líderes guerrilheiros
foram mortos depois de presos e, portanto, sob guarda do Estado.
Em 13.09.1996
EC nº 14 (administração pública): dispõe sobre a organização do ensino
federal, estadual e municipal. Modifica os artigos 34, 208, 211 e 212 da
Constituição Federal (vigente) e dá nova redação ao artigo 60 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias.
Em 14.09.1996
O ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, anunciou um programa de
financiamento dirigido a lavradores Sem-Terra. O cadastramento dos
candidatos, que comprariam terras diretamente dos fazendeiros, seria feito pelo
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), com
assistência de sindicatos ou entidades rurais. A experiência-piloto teria início
em 1997, com mil e quinhentas famílias.
Em 17.09.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso e o primeiro-ministro da Alemanhã,
Helmut Kohl, assinaram em Brasília três atos de cooperação nas áreas
ambiental, técnica e de transportes. Os empresários que integraram a comitiva
do primeiro-ministro garantiram que suas empresas investiriam no Brasil mais
cinco bilhões de reais nos próximos cinco anos, que se somariam aos sete
bilhões em investimentos já existentes.
Em 20.09.1996
O Fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF) concedeu ao Governo
do Distrito Federal o prêmio Criança e Paz, pelos programas na área de
educação e pelas iniciativas dirigidas a coibir a prostituição infantil.
Em 22.09.1996
O Ministério da Justiça decidiu enviar ao Pará, pela segunda vez, uma
comissão de representantes do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa
Humana, encarregada de investigar o massacre de trabalhadores Sem-Terra
ocorrido em abril em Eldorado do Carajás. A decisão foi tomada depois que o
ministro Nelson Jobim recebeu documento, assinado por bispos católicos,
segundo o qual haveria mais treze mortos além dos dezenove identificados.
Em 10.10.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou um Decreto de
Regulamentação do sistema de avaliação das universidades. Entre os métodos
usados para avaliar os cursos superiores, estava a realização de uma prova
pelos formandos, sem a qual estes não receberiam seus diplomas. A União
Nacional dos Estudantes (UNE) criticou o procedimento e convidou os
formandos das diversas áreas a boicotar o “provão”, entregando suas provas em
branco. O objetivo da avaliação era promover um recredenciamento de
instituições de ensino supe-rior.
Em 11.10.1996
O Governo Federal anunciou um pacote com quarenta e quatro medidas para
reduzir o déficit público, de cuja aplicação resultaria uma economia de seis e
meio bilhões de reais para a União. Entre as principais mediadas estavam o fim
das aposentadorias especiais e a extinção de duzentos e quarenta e nove mil
vagas no serviço público. O orçamento dos estados, principal responsável pelo
déficit, não foi atingido. Fazia parte do pacote o programa de demissão
voluntária (PDV), ao qual se esperava a adesão de quatro mil servidores.
Em 20.10.1996
Candidatos a professor no Rio Grande do Sul e a auditor fiscal na Bahia
ganharam decisão favorável do Supremo Tribunal Federal sobre a
inconstitucionalidade do limite de idade imposto aos inscritos em concurso
público. O Supremo Tribunal Federal decidiu que o limite seria cabível apenas
nos casos em que as atribuições do cargo a ser preenchido o exigissem. Nos
casos apreciados, os Juízes concluíram que eles exigiam mais experiência que
mocidade e invocaram o artigo 30 da Constituição.
Em 23.10.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou o projeto que instituiu a
Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), imposto que
incidiria sobre todas as transações bancárias a partir de 23 de janeiro de 1997.
Ficaram isentos os salários e aposentadorias até três mínimos, o pagamento do
seguro-desemprego, os saques do Pis-Pasep e do Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS), as transferências bancárias entre contas de um mesmo
titular e as transferências da União para Estados e Municípios.
Em 05.11.1996
O Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, aceitou o pedido de
demissão do ministro da Saúde, o médico cardiologista Adib Jatene. O
afastamento de Adib Jatene não causou surpresa, pois ele não dissimulava sua
insatisfação com a equipe econômica, que barrou a liberação de um virgula seis
bilhões de reais para socorrer a Saúde. O governo anunciou que não cancelaria
a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF), imposto criado por pressão do ministro demissionário, que vigoraria a
partir de janeiro de 1997.
Em 06.11.1996
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Francisco Rezek, foi eleito pela
Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Corte
Internacional de Justiça, conhecida como Corte de Haia. Francisco Rezek
tornou-se o sexto brasileiro a ocupar uma das quinze cadeiras da Corte, depois
de: Rui Barbosa, Epitácio Pessoa, Filadelfo de Azevedo, Levi Carneiro e Sete
Câmara.
Em 07.11.1996
A União Nacional dos Estudantes (UNE) entrou com pedido de habeas-corpus
na Justiça Federal para impedir que os estudantes inscritos no “provão” (exame
obrigatório para formandos, destinado a avaliar a eficiência dos cursos
universitários) fossem obrigados a permanecer no mínimo uma hora e meia no
local da prova. A União Nacional dos Estudantes convocou o boicote ao
“provão” por meio da entrega da prova em branco.
Em 14.11.1996
O Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, autorizou a
participação de um contingente de cento e vinte militares brasileiros na força
multinacional da Organização das Nações Unidas (ONU) em atuação no leste
do Zaire, por um período mínimo de quatro meses.
Em 04.12.1996
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que criava o contrato de trabalho
temporário, pelo qual os custos de contratação de mão-de-obra se reduziram em
vinte por cento, suprimindo, para os trabalhadores contratados nesse regime, o
aviso prévio, o pagamento de multa de quarenta por cento do saldo do Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em caso de demissão injustificada e
outros ônus. De acordo com o tamanho da empresa, esta ficaria autorizada a
contratar de vinte a cinqüenta por cento de seu pessoal pelo regime temporário.
Em 11.12.1996
O médico cardiologista gaúcho, Carlos César de Albuquerque, foi nomeado
ministro da Saúde pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, ocupando o
lugar deixado pelo médico Adib Jatene.
Em 15.12.1996
Representantes do governo boliviano assinaram em Fortaleza (CE) um acordo
de parceria com o Mercosul, mercado comum latino-americano que congregou
inicialmente o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, e em julho último
foi admitido o Chile. Da mesma forma que este, a Bolívia foi aceita como
parceira comercial, sem direito a voto.
Em 16.12.1996
Foi inaugurado a infovia Florianópolis–Fortaleza, cabo de fibra óptica de mais
de cinco mil quilômetros de extensão que ligou o Nordeste à Rede Nacional de
Transmissão a longa distância, do sistema Telebrás. A infovia duplica a
capacidade de transmissão de sinais de voz, dados, textos e imagem entre doze
capitais estaduais de sua rota. Pela infovia circulariam também as transmissões
entre os países do Mercosul, e entre o Brasil e os Estados Unidos.
Em 18.12.1996
Foi aprovada pelo Congresso Nacional a medida provisória que aumentava o
imposto territorial rural (ITR) das terras improdutivas.
Em 20.12.1996
O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação (LDB), proposta pelo senador Darci Ribeiro, depois de oito anos
de tramitação no Congresso Nacional. A lei concedia autonomia para que as
faculdades escolhessem entre a aplicação de vestibular e o programa de
avaliação seriada, em que as notas obtidas em três provas anuais realizadas no
segundo grau seriam o critério de ingresso. A lei também estabeleceu como
matérias obrigatórias no primeiro e no segundo graus a educação religiosa,
artística e física.
Em 22.12.1996
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, respondeu às
críticas ao comportamento do embaixador brasileiro em Lima, Carlos Luiz
Coutinho Peres, dizendo que o Governo brasileiro nada podia fazer pelos reféns
do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, presos na embaixada do Japão
cinco dias antes.
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